José Medeiros de Lacerda

Leia poesia - A poesia é o remédio da alma

Textos

A LENDA DA CABEÇA SATÂNICA
Trecho do Cordel:
Sua aparência faz jus
A loucas palpitações
Até quando o assunto gira
Em torno de assombrações
O seu nome é descartado
Pra evitar que um descuidado
Padeça de convulsões.

Meras alucinações
Mas com fundo de razão
Pois associam seu nome
Com a própria encarnação
Do capeta, o coisa feia,
Que persegue quem vagueia
À noite na escuridão.

Se isso é superstição
Que essa cabeça perdida
Basta tocar em alguém
Ou algo que tenha vida
Que a criatura esmorece
Se depaupera, amolece
E morre logo em seguida.

Também é coisa sabida,
Se ela sai na noite afora
E para em frente a uma casa
Onde uma família mora
Em poucos dias acontece,
Alguém na casa adoece
E morre sem ter demora.

Pra que ela vá embora
Daquela casa afinal
Tem que chamar logo um padre
Pra exorcizar o local
Para afastá-la de cena
É rezar uma novena
E extirpar de vez o mal.

Mas novena natural
Sem essas modernidades
Pois a Cabeça Satânica
Pertence à antiguidade
E tem lá o seu mister,
Se não for reza como fé
Não tira sua maldade.

A sua capacidade
Satânica e bestial
Não enfraquece com reza
De padre sem ter moral
Sem generalização,
Mas toda congregação
Tem sempre alguém anormal.

Hoje é muito natural
Dessa cabeça a maldade
Pois religião com fé
É coisa da antiguidade,
As igrejas de hoje em dia
São ricas de fantasia
E pobres de caridade.
Série Coisas do Brasil - Vol. XXXIV
Zé Lacerda
Enviado por Zé Lacerda em 11/02/2012
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